Especialistas confirmam: a mentira faz mal!

Por María Jesús Ribas - Agência EFE

As mentiras não fazem mal apenas quando empregadas sem necessidade, para manipular os outros ou para passar uma imagem distorcida do que realmente somos. Elas também são perniciosas quando as pessoas as dizem para si mesmas, com o objetivo, às vezes inconsciente, de disfarçar uma situação desconfortável, ou ainda quando são usadas como estratégia para se obter, manter ou evitar algo.

As mentiras fazem parte do desenvolvimento e da aprendizagem infantil, como estratégia para evitar castigos, obter recompensas, reforçar a independência dos pais ou criar um mundo interior. Mais adiante, passam a ser uma estratégia natural da comunicação humana, um “lubrificante” social.

Quando adultos, fazemos nossa leitura do mundo alterando a realidade e, às vezes, recorremos às mentiras como estratégia para obter, manter ou evitar algo.

Mas mentir se torna doentio quando se torna um hábito, quando a inverdade pode ser facilmente ser confrontada ou é dita sem motivo algum, e ainda quando se torna algo incontrolável, ainda que se tenha consciência do ato.

Segundo a psicóloga Marichu Hidalgo, antes de escolher entre a verdade ou a mentira, é bom pensar no custo psicoemocional de uma ou outra alternativa e analisar se não existe uma outra maneira de resolver esse impasse.

Além disso, é preciso ponderar as conseqüências da mentira, tanto para quem a conta como para quem é enganado. Quem conta uma inverdade, tem que mantê-la por muito tempo. E, muito provavelmente, terá que mentir para mais pessoas para esconder o primeiro embuste. Quanto mais complicada fica a sustentação de uma mentira, mais aumenta o risco de ela ser descoberta.

“Ainda que alguém ache que a falta de honradez faz o mundo ser melhor ou mais seguro, ou ajuda as coisas a serem como queremos, na verdade, só faz a vida se complicar ainda mais”, diz Hidalgo.

Os benefícios da verdade

Por outro lado, a verdade é sempre mais vantajosa: “Dizer a verdade é muito mais simples: requer menos energia emocional, uma memória menos desenvolvida e costuma trazer menos complicações. Mentir requer lembrar o que se disse e a quem. Implica um estilo de vida muito trabalhoso”.

Além disso, quando se mente, convém se perguntar: de que fugimos, que conflito não somos capazes de enfrentar ou que necessidade se tenta satisfazer mentindo: uma necessidade de pertença, de apreço, de liberdade, de diversão?.
Dizer mentiras com freqüência não é bom. Pior é o mentiroso passar a acreditar nelas.

Às vezes, o medo de sermos julgados ou rejeitados, de sofremos ou fracassarmos, de não cumprirmos as nossas e as expectativas dos outros… Tudo isso pode nos levar a fazer leituras parciais da realidade, a ocultá-la ou a interpretá-la da nossa maneira. Ou ainda fazer com que reprimamos, inibamos ou escondamos certos aspectos de nossa forma de ser.

Segundo Hidalgo, quando alguém se auto-engana, “pensa ou diz coisas que não correspondem com a realidade, porque existem deficiências ou carências que a pessoa quer compensar”: “Essa pessoa pode se referir a certas situações, qualidades, habilidades ou conquistas de forma exagerada, tirando-as de contexto ou mudando-as para que causem menos mal-estar”.

No curto prazo, isso ameniza emoções como a frustração. Mas, quando a pessoa sistematicamente mascara ou exagera a realidade, então, sua frustração pode até impedir mudanças pessoais, já que só a mentira passa a fazê-lo se sentir bem.

Para a psicóloga, uma das melhores vacinas contra o auto-engano é “buscar atividades gratificantes”. “Enriquecer a vida social e pessoal faz com que nos sintamos mais à vontade com nós mesmos, já que temos coisas positivas que nos enriquecem. Se a vida de uma pessoa é pobre em gratificações ou entendiante, então ela inventará ou tratará de exagerar o que lhe acontece para não ter uma imagem tão negativa de si mesma”.

Para fugir da auto-enganação, a especialista aconselha as pessoas a agirem de acordo com o que sentem e pensam, e não como gostariam que as coisas fossem.

“É preciso tempo para a descoberta de soluções e saídas reais a longo prazo que nos ajudem a enfrentar aquilo que agora dói e que é considerado insuperável”.

Outro antídoto contra a auto-enganação é a renúncia à perfeição e a fazer tudo de forma magistral. “Esta atitude pode sacrificar experiências valiosas. Tendo-se consciência de que nada é muito bom ou ruim, ninguém se sentirá obrigado a atender às expectativas continuamente”.

FONTE:
http://br.noticias.yahoo.com/s/071116/48/gjh3nj.html

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