Após polêmicas, mísseis antiaéreos são instalados em Londres

Portal Terra / AP - 13/07/2012

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A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos de Londres, o governo britânico iniciou a maior operação de segurança da história do país. Após protestos, pedidos na justiça e inúmeras divergências, segundo o jornal Daily Mail, os mísseis antiaéreos enfim começaram a ser instalados em Londres.

Divididos em seis pontos de Londres - Leytonstone, Bow, Blackheath Common, Oxleas Wood, Enfield e Epping Forest - os mísseis estão sendo instalados para proteger a cidade de supostos ataques terroristas durante os Jogos.

Muitas polêmicas se instauraram em Londres desde que o Ministério da Defesa cogitou instalar mísseis próximos a áreas residencias de Londres. Nos últimos dois meses, moradores dos locais e Ministério da Defesa travaram uma “batalha” na justiça britânica. Enquanto os moradores acreditavam que, com a instalação dos mísseis, as suas casas estariam correndo risco de segurança por se tornarem “alvos” de ataques, o Ministério defendia a ideia de que a operação era necessária para garantir a segurança da capital britânica.

O caso mais polêmico aconteceu em Leytonstone, no leste de Londres. Devido a sua proximidade com a Vila Olímpica, o local era visto como “prioridade” na operação, que previa que os mísseis seriam instalados em cima da Fred Wigg Tower, um edifício residencial de 17 andares. Após diversos pedidos na justiça, o Ministério da Defesa venceu a “queda de braço” e não só essa como todas as outras operações já começaram a ser executadas na capital britânica.

No Bairro de Leytonstone, localizado ao leste de Londres, a vida transcorre com calma. Longe do agito do centro da cidade, onde turistas e pedestres causam intenso movimento, nesse lugar parece que o tempo passa mais devagar. Existem lojas de bairro, igrejas e muitas casas rodeadas de pequenos jardins. Alí, mães com seus filhos saem para comprar frutas, oferecendo um postal de tradição.

No lugar, encontra-se o edifício Fred Wigg, lugar que sem querer começa a acabar com a monotonia e paz de Leytonstone, porque nele o Ministério da Defesa Britânico vai instalar baterias antiaéreas que fazem parte da operação - Guardião Olímpico -, uma grande implantação das forças armadas e policiais com a missão de manter a segurança durante os Jogos Olímpicos.

A tranquilidade da caminhada até a torre Leytonstone acaba com o barulho dos helicópteros que sobrevoam a área, alguns vizinhos que estão na porta de suas casas olha o céu por causa do ambiente fora do comum. Depois de alguns minutos na vizinhança, o Edifício Fred Wigg, lugar da polêmica, é visto. Os habitantes do bairro se negam a aceitar a instalação das baterias militares, já que existe o temor que elas possam se tornar alvo de ataque terroristas, o que os levou a entrar na justiça para que isso não aconteça.

Pequenas casas, um grande campo de futebol e dois parques infantis estão ao redor do edifício. Se a atmosfera é de um lugar relaxado, esta ideia vem abaixo quando se chega na entrada, pois uma viatura de polícia está estacionado no local, e em frente, cinco metros adiante, outro enorme veículo policial, com seis pessoas abordo, vigia o movimento das redondezas.

Ao observar os repórteres do Terra, um dos oficiais pergunta o motivo da visita. Depois de respondidas as primeiras perguntas, os questionamentos continuam de maneira mais incisiva, deixando o ambiente mais tenso. Depois de alguns minutos de conversa, o oficial permite apenas algumas fotos da fachada, mas sem entrar no edifício e muito menos gravar imagens, sob o argumento de que se deve “respeitar a privacidade dos moradores”.

Os oficiais não tiram os olhos dos repórteres que fotografam o lugar vigiado. Uma moradora sai e caminha em direção ao metrô, momento certo para saber como se sentem os mais afetados por toda essa situação.

“Vieram por causa dos mísseis, não é? Pois na próxima semana vai haver uma audiência na corte, estamos esperando o resultado”, comenta Deborah, uma mulher de aproximadamente 30 anos, que fala sobre os motivos de não querer a instalação das baterias antiaéreas. “Como podem ver, aqui é um lugar tranquilo, onde há famílias e crianças. É perigoso para todos nós”, afirma e depois se desculpa porque tem que ir ao trabalho.

A instalação dos mísseis ainda não aconteceu, mas a vigilância da polícia em um lugar acostumado com a tranquilidade eleva a tensão tanto dos moradores quanto dos visitantes.

O governo britânico tem como principal interesse manter a tranquilidade de Londres e estar em alerta máximo durante os Jogos, tanto que além de instalar as baterias em lugares como o Edifício Wigg, ou o Lexinton Building, o plano de segurança inclui mais de 42 mil pessoas, 13,5 mil delas são militares, e também um porta helicópteros no Rio Tâmisa.

A tranquilidade vai diminuir a medida que se aproximem os Jogos Olímpicos, porque a partir do dia 16 de julho, a polícia vai controlar o acesso de veículos e dos habitantes da área, como apontam várias praças ao longo das ruas.

A última palavra é da corte, mas é provável que os vizinhos tenham que ceder a instalação das baterias.

* Fontes:
http://esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5895917-EI19410,00.html

http://esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5895583-EI19410,00.html

http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/defence/

* Em ligação com:
V de Vingança, Maçonaria, terrorismo e as Olimpíadas de Londres

Minissérie da BBC ‘Spooks Code 9′ mostrou ataque terrorista em Londres

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