Ferimento de jovem em Boston é caso incomum, diz médico brasileiro

G1 - 17/04/2013

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A foto de um homem segurando o que parece ser a artéria de um jovem que teve as pernas dilaceradas por uma das explosões durante a Maratona de Boston ganhou grande repercussão na internet.

Um especialista ouvido pelo G1 avaliou a imagem e apontou que uma artéria ficar solta dessa maneira é algo incomum, característico de ferimentos de guerra.

A imagem mostra o voluntário Carlos Arredondo, de 52 anos, ativista da Cruz Vermelha, auxiliando no resgate de Jeff Baumann, de 27 anos, que ficou gravemente ferido.

Segundo Jorge Ribera, diretor-operacional do Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências (Grau) do governo do estado de São Paulo, a fotografia sugere que Arredondo estaria de fato segurando a artéria femoral superficial da perna direita de Baumann.

Ribera é responsável por coordenar a operação de helicópteros e ambulâncias para salvamento no estado. “Essa artéria femoral fica junto ao osso. Quando a explosão rasgou o osso, a artéria ficou solta. É difícil acontecer isso, é um caso raro de ver a artéria solta. É um ferimento comum de se ver em guerras”, diz o especialista brasileiro.

Ele explica que a ação de Arredondo pode ter sido importante para evitar que Baumann ficasse ainda pior, ou até morresse: “É um volume de sangue muito grande. Se essa artéria ficar aberta por alguns minutos, a pessoa morre em pouco tempo”.

Segundo a imprensa americana, Baumann está atualmente em um hospital e passou por uma cirurgia de amputação das duas pernas. De acordo com “The New York Times”, Baumann teve que ser reanimado pela equipe médica e passou por diversas transfusões de sangue.

Torniquete

Ribera afirma que em um caso raro como o do americano, pode não ser a solução fazer um torniquete, procedimento pré-hospitalar em que se amarra algum tecido ou até saco plástico em extremidades do corpo com ferimento para barrar a circulação sanguínea. De forma geral, no entanto, a técnica diminui substancialmente o risco de morte. “O problema é que parte dessas vítimas não tem apenas essa lesão (nos membros)”, diz o médico.

O torniquete funciona mais em casos de ferimentos em extremidades. Já em casos de ferimentos na região da barriga ou na região inguinal (área de junção entre parede do abdômen anterior e a coxa), onde não é possível utilizar torniquetes, o recomendável é usar um pedaço de pano para comprimir a hemorragia.

O médico cita um caso ocorrido no Brasil em que um estancamento imediato poderia ter evitado a morte. Em novembro de 2012, o sargento da Marinha Fabio dos Santos Maciel morreu no Rio de Janeiro, durante a própria festa de casamento, após cair sobre um copo que havia colocado minutos antes no bolso.

Na época, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que um dos cacos de vidro cortou a veia femoral do noivo, que já chegou morto ao hospital. Segundo o especialista em socorro emergencial, ninguém conteve o sangramento inicial da vítima. “Se alguém tivesse colocado algo que fizesse pressão no ferimento e impedisse que o sangue saísse, poderia ter evitado a morte”, explica Ribera.

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* Fonte:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/04/ferimento-de-jovem-em-boston-e-caso-incomum-diz-medico-brasileiro.html

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